Audiovisual, Som De Electricidade

Quando está a localizar o áudio de um filme, já deve ter notado a expressão “estéreo” ou “surround”. Mas você sabe o que significam esses termos e qual a diferença entre eles? Será que quando ouvimos uma música, a depender do aparelho que utilizamos, existem diferenças no som que conseguimos captar?

Para compreender melhor todas essas terminologias, é importante que você conheça um pouco mais sobre a história e a evolução do som neste artigo oferecido pela Ekoo.


O Som Surround e a sua evolução
No início do cinema, por volta da década de 30, a sonorização de todo um filme acontecia apenas com uma única caixa de som localizada atrás da tela. Esse tipo de gravação, em geral, era realizada no que chamamos de ‘mono’, ou seja, uma única forma de onda era gravada, a representar a frequência e o volume, mas sem direção. O resultado era um pouco fraco e nada envolvente.

Com a evolução da tecnologia, surgiu o som estéreo, que é muito utilizado até hoje pela maioria dos aparelhos de som e televisores. Essa evolução aconteceu principalmente pela percepção de que os dois ouvidos do ser humano não ocupam a mesma posição no espaço e, com isso, obviamente o som não os atinge da mesma maneira. A diferença entre os instantes das ondas sonoras é de apenas alguns milésimos de segundos, mas o cérebro é capaz de percebê-la. Dessa forma, em 1881, acontece a primeira transmissão de uma ópera francesa através de um sistema estéreo, criado por Clément Ader.

Um sistema estéreo busca reproduzir a posição em que os instrumentos e os cantores estavam no momento da gravação do áudio, a tornar a nossa percepção da música muito mais prazerosa e verdadeira do que no sistema ‘mono’.

Porém, apesar do sistema estéreo ainda ser amplamente utilizado, algumas pessoas sentiam que este não era o modelo ideal e que o mesmo poderia promover uma experiência ainda melhor.

Foi assim que surgiu o sistema surround, também adotado para a TV Digital e sistemas de Home Theater. O objetivo, nesse novo modelo, é fazer com que o ouvinte tenha a sensação de estar na plateia de um concerto, ou que o espectador de um filme se sinta dentro da própria cena a se desenrolar. Ou seja, o surround torna a sensação de ouvir determinado som ainda mais real.

A primeira vez que o som surround apareceu foi em 1941, no filme “Fantasia” de Walt Disney. O resultado surpreendeu a plateia que se sentia envolvida com o som de música clássica produzida pelo engenheiro eletricista William Garity.

Para conseguir esse efeito, Garity separou as seções da orquestra em quatro pistas distintas de áudio, que passaram a ser gravadas em pistas óticas de um rolo de filme independente. Com isso, era possível reproduzir as quatro pistas de forma separada nos alto-falantes espalhados pelo cinema, o que dava a plateia a sensação de que a música se movimentava pela sala.

Apesar do sucesso na época, o som surround demorou para ser amplamente usado, principalmente devido aos altos custos envolvidos no processo de mixagem.
Mas, afinal, como funciona o som surround?

As gravações em surround são aquelas capazes de adicionar mais canais de áudio, dessa forma, o som é proveniente de três ou mais direções. Para que esse tipo de gravação seja possível existem microfones especiais capazes de captar o som surround, ou seja, em três ou mais direções. Contudo, apesar disso, essa não é a maneira mais usual de se produzir trilhas em surround.

A maior parte das produções realizadas em surround são resultado do trabalho de um estúdio de mixagem, no qual várias gravações diferentes são distribuídas por multicanais.

Hoje, o sistema mais moderno utiliza seis canais de distribuição pelas caixas acústicas que seguem o roteiro do que acontece na tela da TV ou no trecho de determinada música.

Os falantes do tipo subwoofer são muito utilizados em sistemas surround, pois são os principais na hora de reproduzir as frequências baixas, de forma a produzir os sons graves. Porém, como nem sempre esse canal é utilizado, o sistema ganhou o nome de surround “5.1”, já que a posição exata do subwoofer é irrelevante, pois o ouvido humano não é capaz de distinguir a direção das ondas de baixa frequência.

É claro que nem todos os sistemas utilizam o surround 5.1. Existem variações como o surround 4.0 – que foi muito usado na década de 70- e os modernos 7.1 e 9.1.


Dolby, DTS e THX: o que são?

Além do surround 5.1, é provável que você já tenha se deparado com outras nominações como Dolby, DTS e THX. Eles também buscam melhorar a experiência da pessoa com o som em questão e podem ser facilmente confundidos. Veja um pouco mais sobre cada um deles:

Dolby: A Dolby é uma empresa inglesa conhecida pelos seus grandes investimentos em pesquisas no setor de processamento do som. O nome desse formato foi dado em homenagem ao engenheiro e fundador da empresa Ray Dolby.

Logo quando surgiu, o formato Dolby funcionava como um filtro, de modo a diminuir os ruídos e melhorar os graves e agudos, o que gerava um som estéreo de melhor qualidade. Anos depois, com melhoramentos tecnológicos, surgiu o Dolby Surround que, como todos os sons surrounds, permite proporcionar a sensação de que o som está vindo de lugares distintos.

Além do Dolby Surround também existe o Dolby Digital, que apareceu no mercado pela primeira vez em 1992. Esse sistema faz uso dos seis canais que explicamos acima, e é o mais conhecido entre os estilos de Surround 5.1. Esse é o modelo suportado pela maioria dos aparelhos de reprodução de vídeo, sendo o mais comum em DVD’s e Blu-rays.

DTS (Digital Theater System): é o nome dado a uma família de formatos de áudio que foi usado pela primeira vez em 1993, em Jurassic Park. Hoje, ele é o principal concorrente da Dolby e também possui a versão básica (5.1), com seis canais de som surround, sendo cinco primários e um grave e o Master Audio, que aumenta a qualidade do som, mas apenas é reproduzido em aparelhos específicos.

-THX: está relacionado a um padrão de qualidade de áudio para alto-falantes, cinemas e outros sistemas de som. Ele considera aspectos como reverberação, isolamento acústico e uso de acústica especial para a parede frontal.

Já pode notar que existem muitos itens relacionados ao som surround, não é mesmo? Para continuar a aprender um pouco mais sobre os tipos e aplicações de sons, não deixe de acompanhar as nossas postagens.